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COALIZÃO TARSAL

2 de agosto, 2021

Introdução

A coalizão tarsal (ou barra óssea) consiste em uma conexão fibrosa, cartilaginosa ou óssea entre dois ou mais ossos do tarso, resultante de um defeito congênito de diferenciação e segmentação do mesênquima primitivo. Assim, produz um pé plano valgo rígido, além de ser a causa mais comum de dor no pé plano da criança. Apresenta como sinônimos o pé plano peroneiro espástico, o pé plano valgo fibular e o pé espástico rígido.

A fusão pode ser fibrosa (sindesmose), cartilaginosa (sincondrose) ou óssea (sinostose). Podem ser completas ou incompletas, sendo estas últimas mais sintomáticas.

Etiologia e epidemiologia

Ocorre por falha de clivagem do mesênquima quando o feto se encontra entre 27 e 72 mm, com herança autossômica dominante de penetrância quase completa. É bilateral em até 60% dos casos, e ocorre em pouco menos de 1% da população. As localizações mais comuns são a faceta média da articulação talocalcânea e na porção calcaneonavicular, que compreendem mais de 90% das coalizões. Entre as duas não há prevalência. Tem origem como uma sindesmose, que não se une em 99% dos casos. Pode evoluir para sincondrose e posteriormente sinostose.

Diagnóstico

Inicialmente, a fusão é cartilaginosa até a infância, ou seja, existe movimento entre as articulações. À medida que a ossificação vai ocorrendo, acontece o achatamento progressivo do arco longitudinal, acompanhado de valgo fixo do retropé, com diminuição da mobilidade da subtalar, o que, geralmente, precede os sintomas. A tríade DOR + DEFORMIDADE + RIGIDEZ é característica dessa patologia e se inicia no período de ossificação da coalizão.

A dor é insidiosa, progressiva, referida no seio do tarso, no trajeto dos fibulares, na borda medial do mediopé e/ou no retropé, principalmente ao nível do sustentáculo do tálus, e piora com atividade física e alivia com repouso. Podem ocorrer entorses recorrentes e dor na região dorsal da articulação talonavicular, por sobrecarga. O grau de perda de movimento do retropé depende da localização da barra óssea, por exemplo, as calcâneo-cuboides têm uma menor limitação do que as talocalcâneanas.

As deformidades encontradas no exame clínico são a retificação do arco longitudinal do pé, que também precede os sintomas, mas não gera queixas do paciente, valgismo do retropé e espasmo dos fibulares. A rigidez é identificada pela falta de varismo do retropé quando se está nas pontas dos pés.

Geralmente, a época de início da dor indica o tipo de coalizão, ou seja, até os 7 anos as coalizões são usualmente assintomáticas; dos 8 aos 12 anos, a principal causa de dor é a coalizão calcaneonavicular; já dos 12 aos 16 anos, a principal causa de dor é a barra talocalcâneana.

Devemos considerar os seguintes diagnósticos diferenciais quando falamos de coalizão tarsal: trauma, artrose, infecção e tumor.


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