Canal de atendimento atendimento@medaula.com.br
(31) 3245-5781 (31) 9 8882-9624
Rua Grão Pará, 737 Conjunto: 1101 - 11o andar, BH
CNPJ: 07.254.304/0001-24

CONTRATURA DE DUPUYTREN

20 de setembro, 2021

DOENÇA DE DUPUYTREN

A contratura de Dupuytren é um tema recorrente nas provas de ortopedia. No geral, as questões costumam abordar aspectos da epidemiologia (TARO 2018), da anatomia e fisiopatologia (TEOT 2018), além de alguns aspectos que envolvem o exame físico e as indicações dos tratamentos cirúrgico e conservador, principalmente nas provas orais.

Fique atento! Pois a ultima prova do TEOT em 2021 perguntou ao candidato qual o dedo mais acometido pela doença de Dupuytren. Sempre vale a pena estar em dia com este assunto!

Conceito de doença de Dupuytren

A contratura de Dupuytren é uma fibroplasia proliferativa do tecido palmar, que ocorre na forma de nódulos e cordões, e que pode resultar em contraturas secundárias progressivas e irreversíveis das articulações dos dedos. Pode incluir o adelgaçamento da gordura subcutânea sobrejacente, aderência e depressões na pele.

Epidemiologia da doença de Dupuytren

A contratura de DUPUYTREN ocorre predominantemente em homens, na proporção de 10 para 1, após a quinta década de vida. A raça mais acometida é a branca, sendo mais predominante na população do norte da Europa. Acomete os homens mais precocemente e possui associação com diabetes, epilepsia, alcoolismo e hepatopatia crônica. Pode ser bilateral em até 45% dos casos, sendo raramente simétrico

Patogênese da doença de Dupuytren

O miofibroblasto é o tipo celular dominante, sendo uma célula contrátil rica em colágeno tipo III e altas concentrações de actina alfa de músculo liso. Além disso, possui mais contratilidade do que um fibroblasto normal. Os nódulos e cordões subcutâneos são formados por fibroplasia e por hipertrofia de fibras já existentes da fáscia palmar. Os nódulos tipicamente aparecem em torno da área palmar distal, sobre a articulação metacarpofalangeana e distalmente sobre a articulação IFP, estando aderidos à pele e à fáscia palmar.

Ocorre em três fases, segundo Lucky. A fase proliferativa é a fase inicial, onde observa-se nódulos jovens, formados por fibroblastos alinhados sem tensão, que expandem e deslocam o tecido subcutâneo, aderindo à pele. A próxima fase é a involutiva, onde os nódulos param de crescer e iniciam a contratura, com os fibroblastos se alinhando com tensão e aumentando a produção de colágeno. A contratura do nódulo tensiona a fáscia proximal, produzindo hipertrofia e unidades nódulo – corda. A fase mais tardia é a residual, onde os nódulos diminuem de tamanho e se tornam cordas fibrosas acelulares.

O cordão pré-tendíneo é o mais comumente afetado e resulta na contratura da articulação metacarpofalangeana e no pinçamento na pele. Essa corda não desvia o feixe vasculonervoso. O cordão espiral é formado a partir de 4 estruturas: banda pré-tendinosa, bainha digital lateral, ligamento de GRAYSON e a banda espiral. Esse cordão leva à contratura em flexão da articulação metacarpofalangeana e da interfalangeana proximal. É o cordão espiral que desvia o feixe vasculonervoso superficialmente e em direção à linha média, expondo o feixe ao risco de uma lesão iatrogênica durante o tratamento cirúrgico. O cordão central é uma extensão da corda pré-tendínea, central, que também não desvia o feixe vasculonervoso, mas que leva à contratura em flexão da articulação interfalangeana proximal. O cordão natatório leva à contratura do espaço interdigital, e o cordão lateral à contratura em flexão das articulações metacarpofalangeana ou interfalangeana proximal. A corda retrovascular e a corda lateral podem levar à hiperextensão da articulação interfalangeana distal nas doenças recorrentes.

A anatomia normal da região da fáscia palmar e das bandas da mão é complexa. De maneira geral, a fáscia palmar normal é formada pelos ligamentos transverso superficial, natatório, palmar longitudinal e banda pré-tendínea. Seguindo para os dedos, surge a banda central, banda espiral, folheto digital lateral, ligamento de Grayson (volar), ligamento retrovascular (IFD), ligamento de Cleland (dorsal). Uma vez que se desenvolve a doença de Dupuytren, as bandas acometidas ficam “doentes” e passam a ser chamadas de cordas ou cordões. A corda espiral flete a articulação IFP (associação de 4 contraturas: banda pré-tendínea; banda espiral; folheto digital lateral; ligamento de Grayson) e descola o feixe neurovascular para volar e superficial. A corda central flete a articulação MCF (contratura da banda pré-tendínea). A corda retrovascular flete a articulação IFD.

Quer ficar por dentro de todos os nossos conteúdos?