Canal de atendimento atendimento@medaula.com.br
(31) 3245-5781 (31) 9 8882-9624
Rua Grão Pará, 737 Conjunto: 1101 - 11o andar, BH
CNPJ: 07.254.304/0001-24

HÁLUX VALGO

25 de agosto, 2021

INTRODUÇÃO 

Atenção!! O foco deste blog é sem dúvida preparar você para a realização de concursos em Ortopedia. Nas nossas pesquisas, observamos que o mais cobrado hoje em dia são os possíveis fatores etiológicos e as diversas formas de tratamento do hálux valgo. No TEOT de 2020, caiu uma imagem de uma osteotomia diafisária do 1° metatarso (Scarf) e perguntava o seu nome. Essa é uma das osteotomias utilizadas no tratamento do hálux valgo.

No TARO de 2020, perguntou-se qual a osteotomia que permite correção adicional do hálux valgo com ângulo articular metatarsal distal maior que 15 graus. Um conceito mais voltado para especialistas da área, mas passível de ser cobrado.

Epidemiologia

O termo hálux aduto valgo foi primeiramente utilizado por Carl Hueter, que descrevia uma subluxação estática da 1ª MTF com desvio lateral do 1º dedo. A incidência varia em cada população, mas Myerson acredita que 2 a 4% da população têm essa deformidade. Já Coughlin estima que mais de 200.000 correções são feitas, anualmente, nos Estados Unidos.

Acredita-se que as mulheres são mais afetadas do que os homens, na proporção de 3:1. Mas, quando falamos de pacientes tratados cirurgicamente, as mulheres correpondem entre 84 a até 100% em algumas séries, sendo frequentemente aceita a proporção de 15 mulheres operadas para cada homem. A incidência de bilateralidade ainda é tema de debate; no entanto, Coughlin, em um estudo demográfico, descobriu que 84% dos pacientes operados por deformidades graves possuíam deformidade bilateral, contudo apenas 18% foram submetidos à correção cirúrgica de ambos os pés.

Fisiopatologia

É sabido que o hálux valgo se desenvolve em etapas, que não necessariamente acontecem em série, ou seja, podem ocorrer simultaneamente. As únicas estruturas mediais que estabilizam a articulação metatarsofalangeana do 1º raio são o sesamoide medial e os ligamentos colaterais mediais, e a falência desses mecanismos é considerada a lesão essencial e primária.

A cabeça do 1º metatarso desvia medialmente, saindo de cima do complexo sesamoideo, o que pode ser influenciado pela instabilidade da articulação tarso-metatarsiana. Já a falange proximal se move em valgo, para lateral, pois sua base está fortemente aderida aos sesamoides, ao ligamento transverso profundo, através da placa plantar, e ao tendão do adutor do hálux. Com isso, a cabeça do metatarso passa a apoiar-se sobre o sesamoide medial, podendo erodir a cartilagem e a crista; o sesamoide lateral aparece no espaço intermetatarsiano, mas, na verdade, ele não se move (questão de prova!).

A bursa que sobrepõe a proeminência medial pode se tornar espessa devido ao atrito com os calçados. Os tendões extensor longo e flexor longo do hálux passam a trabalhar lateralmente ao eixo do 1º raio, aumentando a força em valgo e, ocasionalmente, agindo como dorsiflexores. Como a cabeça do 1º metatarso sai de cima dos sesamoides, ela assume uma posição em pronação devido às forças musculares que atuam ao redor da base da falange.

Normalmente, o abdutor do hálux é um potente restritor do desvio em valgo da falange, mas ele vai se tornando pouco funcional com a migração inferior das suas inserções mediais e plantares, perdendo, com isso, seu antagonismo adutor. A cápsula dorsal, que é fraca como estabilizador da articulação metatarsofalangeana, por não ser reforçada por nenhum tendão, roda medialmente com a pronação. Finalmente, ocorre uma elevação da cabeça do 1º metatarso e, com desvio medial previamente descrito, pode transferir a pressão lateralmente.

Etiologia

Fatores extrínsecos e intrínsecos

Entre os fatores extrínsecos, o uso de calçados de caixa anterior estreita é, sem dúvida, um dos fatores mais atribuídos à gênese do hálux valgo, pois a prevalência em populações que não usam calçados é muito baixa, no entanto sem uma forte evidência científica. Já o uso de salto alto parece estar mais ligado à progressão da deformidade do que à gênese do problema. Com relação à descarga de peso excessiva, frequente em algumas atividades de trabalho, a única evidência, mesmo que fraca, é em bailarinas.

Os fatores intrínsecos são inúmeros. O primeiro deles é a genética. A melhor evidência que se tem é que aproximadamente 90% dos pacientes com hálux valgo possuem algum parente afetado, com um padrão de herança autossômico dominante com penetrância incompleta. Com relação à etnia, a prevalência em brancos tende a ser duas vezes maior do que em negros africanos.

Já dissemos anteriormente que a prevalência nas mulheres é maior. No entanto, existem outras alterações anatômicas que favorecem a deformidade nas mulheres. A primeira é a superfície articular da cabeça do metatarso, que é menor e mais arredondada, conferindo maior instabilidade. Além disso, o metatarso é mais aduto nas mulheres, o que pode também ser resultado de uma articulação tarso-metatarsiana mais inclinada.

Com relação à frouxidão ligamentar, sabe-se que uma frouxidão leve é encontrada em grande número de pacientes com hálux valgo, e que os pacientes com doenças que cursam com frouxidão generalizada, como Marfan e Ehlers-Danlos, têm uma maior incidência e deformidades mais graves. Além disso, o risco de recidiva nesses pacientes é maior.

Apesar de o pico de início da deformidade ser entre os 30 e 60 anos, a idade é um fraco preditor da deformidade em valgo do hálux, pois as alterações iniciais provavelmente aconteceram na juventude.

A presença do metatarso primo varo concomitantemente ao hálux valgo é bem conhecida, podendo estar presente em 57% dos pacientes, quando comparado a uma incidência de menos de 1% na população em geral. No entanto, parece ser mais importante no hálux valgo juvenil, em que aparece em 75% dos casos.

Morton acreditava que o metatarso curto poderia levar ao joanete, mas sabe-se que quase 80% dos casos apresentam um 1º metatarso zero-plus, ou seja, igual ou maior que o 2º metatarso. A cabeça tende a ser mais redonda, o que confere maior instabilidade. Proximalmente, a superfície articular inclinada é relacionada com uma maior incidência da deformidade. É importante ressaltar que o bunion não é uma exostose ou uma ossificação, mas uma exposição excessiva da cabeça metatarsal devido à perda da cartilagem.

O pé plano caracteriza-se por um aumento da carga na borda plantar medial do hálux durante o momento de elevação nos calcanhares. Além disso, produz uma elevação do 1º metatarso, com consequente alongamento funcional do mesmo osso, levando a uma menor mobilidade na articulação metatarsofalangeana. Além disso, o fibular longo é pouco capaz de estabilizar o 1º raio, aumentando a chance de hipermobilidade.

Quer ficar por dentro de todos os nossos conteúdos?